Repertório

A Cantora Careca

Texto de Eugène Ionesco que fala de maneira cômica sobre a loucura e a incomunicabilidade da sociedade contemporânea. Montada em tom experimental, em 2003, participou do Festival de Cenas Curtas promovido pela Federação de Teatro de Goiás, da inauguração de centros culturais e de outros eventos.

O surrealismo presente nas obras de Salvador Dalí, André Breton, Luiz Buñuel e mais recentemente em David Lynch serviu como matéria prima para a pesquisa que visa agregar valores e sentidos estéticos mais profundos a este trabalho. A peça goza da estrutura baseada em roteiro de cinema. A história não começa do início, necessariamente, mas assume uma narrativa circular, evocando a sensação de flash back.

Neste universo onírico, onde o sonho e a realidade se misturam, se desenvolve a trama de Bola de Berlim – uma saudação ao inconsciente, uma inspiração ao submundo imagético do homem.

Catarina e Jorge, irmãos gêmeos, vivem afastados da civilização e sequer sabem da existência de um mundo fora dos muros da propriedade em que habitam. Criados pelos avós e em seguida por um amigo da família os dois foram abandonados pelo tutor e estão prestes a descobrir o segredo que os mantém presos à casa onde vivem.

A imagem criada de um mundo além da barreira dos olhos vem dos livros, quadros e histórias. A relação entre o mundo exterior e o mundo interior é criada por suas próprias mentes, que desconstroem o material recebido para construir uma alegoria onde os olhares do adulto e da criança se misturam.

Sem contato com familiares ou amigos, Catarina e Jorge vivem uma situação limite entre o amor e o incesto, a realidade e o mundo da fantasia, o medo como prazer e o pavor da morte. As personagens vacilam entre as lembranças e o presente em cenas recheadas de surrealismo, onde é questionado o conceito de realidade como algo único e palpável.

"A PEÇA TEM UMA ESTRUTURA BASEADA EM ROTEIRO DE CINEMA. A HISTÓRIA NÃO COMEÇA NO INICIO, NECESSARIAMENTE, MAS ASSUME UMA NARRATIVA CIRCULAR EVOCANDO A SENSAÇÃO DE FLASHBACK."

THIAGO MOURA

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